Nos últimos dias, fui tomada por uma reflexão intensa. Talvez esse texto não traga respostas práticas, talvez ele não seja útil da forma que tantas vezes esperamos que as coisas sejam. Mas ele é, sem dúvida, verdadeiro. E por isso, acho que vale ser compartilhado.
Tenho pensado muito sobre a profunda conexão entre empreender e maternar. Duas escolhas que, à primeira vista, podem parecer distantes. Uma ligada ao mundo dos negócios, das planilhas, da performance. A outra, ao cuidado, à criação, ao afeto. Mas, para mim, essas duas jornadas estão entrelaçadas em mais pontos do que somos levados a crer.
A construção da Sourcify, a empresa que estou criando agora, acontece num momento muito especial da minha vida. Especial, porque é um marco de autonomia, de um projeto verdadeiramente meu. E especial também porque vem acompanhado de uma bagagem emocional intensa, de outros caminhos empreendedores já trilhados.
Dessa vez é diferente. A iniciativa é minha. A ideia é minha. A coragem, também. E mesmo cercada de pessoas que caminham junto, a responsabilidade carrega meu nome. Isso tem um peso diferente. É quase como gerar e dar à luz uma nova vida.
Assim como empreender, maternar é assumir riscos. É tomar para si a responsabilidade sobre uma vida que ainda está sendo formada. É responder por decisões, por consequências, por sucessos e fracassos. E é, acima de tudo, desejar que aquilo que você está ajudando a criar floresça no mundo.
Empreender, assim como maternar, tem essa mistura agridoce. Tem a euforia da criação e a exaustão da responsabilidade. Tem o orgulho de ver algo nascer das suas mãos e o medo constante de que tudo dê errado. Tem a liberdade de criar e a prisão das contas a pagar. É um equilíbrio instável, mas fascinante.
A maternidade, assim como o empreendedorismo, pode ser profundamente solitária. Mesmo quando você tem uma rede de apoio, mesmo quando há um companheiro presente e participativo, há aspectos dessa experiência que são internos, silenciosos e intransferíveis.
O que conecta profundamente essas duas experiências é o ato de cuidar. De querer construir algo que dure, que seja bom, que tenha propósito. Seja um filho ou um negócio, você deseja que aquilo que está criando no mundo faça sentido. Que sobreviva. Que prospere.
Existe também uma pressão quase invisível, mas muito presente, que permeia tanto a maternidade quanto o empreendedorismo: a de que precisa dar certo. Como mãe, sentimos que não podemos falhar. Como empreendedora, também.
Essa reflexão me trouxe mais uma vez à ideia de redefinir sucesso. De sair da lógica externa, que mede, compara e cobra, e entrar numa lógica mais interna, mais honesta. Sucesso, para mim, é estar alinhada com o que acredito. É não abrir mão dos meus valores.
Mas se você também está empreendendo. Ou maternando. Ou os dois. E se sente, às vezes, cansada, perdida, culpada por não estar dando conta de tudo, saiba que você não está sozinha.
A jornada é desafiadora, sim. Mas também é profundamente transformadora. Ela nos obriga a crescer, a aprender, a nos tornar versões mais corajosas de nós mesmas. Ela nos convida a cuidar. A amar. A persistir.
