Uma ideia interessante aparece em uma conversa, alguém sugere uma nova oferta, o time enxerga uma oportunidade. A reunião termina, as demandas do dia a dia voltam e aquela possibilidade fica como uma aba aberta.
Gosto dessa pauta porque ela conecta três temas que amo: inovação, pesquisa e estratégia. Para mim, comparar novas frentes de negócio começa por organizar as ideias, investigar o contexto e escolher o que vale testar.
1. Dê às ideias um lugar e um responsável
Uma oportunidade pode se perder quando não existe um lugar para registrá-la, um momento para revisitá-la ou alguém responsável por aprofundá-la. Depois, ela reaparece quando um problema já ficou urgente.
Minha primeira sugestão é criar um ritual recorrente para olhar para os problemas e possibilidades do negócio. Pode ser mensal ou bimestral, conforme a realidade da operação. Se você trabalha sozinha, esse também pode ser um compromisso com você mesma.
A proposta é reunir observações sobre clientes, usuários e processos, registrar as ideias e decidir quais merecem investigação. O registro precisa guardar o problema observado, quem é afetado, a solução imaginada e o que ainda não sabemos.
Eu gosto de usar o velho 5W2H para estruturar as ideias que vão seguir: o que será feito, por quê, para quem, por quem, quando, como e a que custo. Na aplicação tradicional, a ferramenta também pergunta onde a ação acontece. Acrescento “para quem” porque entender quem precisa da solução é essencial nessa investigação.
Nesse primeiro momento, algumas respostas serão hipóteses. Tudo bem. O importante é saber o que precisa ser descoberto e definir quem vai conduzir o próximo passo.
Ideia sem responsável tende a voltar para aquela aba aberta.
2. Pesquise antes de decidir o que construir
Depois de organizar a ideia, vem outro tema que quem me conhece sabe que eu amo: pesquisa.
O mercado não começa na nossa ideia. Pode haver empresas atendendo à mesma necessidade, soluções que resolvem parte do problema ou maneiras de fazer que ainda não conhecemos. Por isso, gosto de investigar concorrentes diretos, alternativas indiretas e soluções prontas.
Algumas perguntas ajudam a orientar esse olhar:
- O que já existe para atender a essa necessidade?
- Como as pessoas resolvem o problema hoje, inclusive quando não compram uma solução?
- Que sinais de demanda consigo observar? O que sustenta uma eventual estimativa de crescimento do mercado?
- Como são as ofertas, as propostas de valor e os preços?
- O que parece mal atendido e como posso verificar essa percepção?
A IA pode ajudar a organizar perguntas, encontrar pistas e sintetizar materiais. Mas uma resposta bem escrita não basta para concluir uma pesquisa. É preciso abrir as fontes, conferir datas e recortes, comparar informações e conversar com quem vive o problema.
A arte de ser curiosa e saber perguntar está cada vez mais importante, ao meu ver. Esse é um bom momento para exercitá-la.
3. Olhe para dentro e compare os caminhos
Depois de olhar para o mercado, precisamos olhar para a empresa.
Que soluções oferecemos hoje? Para quem? Que problema essa nova frente resolveria? O que já temos e o que precisaríamos construir? Quais seriam os custos de desenvolver, vender e entregar?
Também gosto de trazer perguntas sobre capacidade: temos tempo, pessoas e recursos para testar essa ideia? Quanto podemos investir sem comprometer a operação atual? O que esperamos alcançar e que sinais mostrariam que estamos avançando?
Olha a arte de perguntar se fazendo necessária novamente.
Para comparar as possibilidades, colocaria cada uma lado a lado em quatro dimensões:
- Demanda: que evidências temos de que alguém precisa e pode comprar?
- Capacidade: o que conseguimos entregar e o que falta desenvolver?
- Economia: quais custos, preços e condições tornam a proposta viável?
- Aprendizado: qual teste pode reduzir a incerteza antes de um investimento maior?
Não é preciso fingir precisão onde ainda faltam informações. Uma dúvida relevante também entra na comparação e ajuda a definir a próxima investigação.
4. Escolha um teste e o que ele precisa mostrar
A partir dessas respostas, conseguimos desenhar caminhos de teste e investimento. Em alguns casos, dá para investigar partes da ideia antes de desenvolver uma solução completa.
Uma página de apresentação pode ajudar a testar a clareza da proposta e o interesse inicial. Uma conversa com clientes pode aprofundar o problema. Um piloto com poucas pessoas pode revelar dificuldades de uso e entrega.
Cada teste responde a uma pergunta diferente. Um cadastro em uma página indica interesse; não comprova, sozinho, disposição de pagar ou viabilidade do negócio.
Antes de começar, vale registrar a hipótese, quem participará, quanto tempo e recurso serão usados e o que vamos observar. Também precisamos combinar o que faremos com o resultado: seguir, ajustar, investigar mais ou interromper.
Organizar a investigação já é um próximo passo
Esse caminho investigativo é o que faz mais sentido para mim. Reservar um tempo para organizar o que queremos descobrir, como vamos testar e quais decisões dependem das respostas pode evitar um investimento grande feito cedo demais.
No Método Alicerce, esse trabalho conecta a visão do que queremos construir, a estratégia para investigar e escolher caminhos e o tático para colocar os próximos passos em prática.
Se você está comparando novas ofertas ou frentes de receita, me conte o que quer construir e qual decisão está em aberto. Podemos conversar sobre o apoio que esse momento pede.
